sábado, 6 de março de 2010

Um banho de chuva!


A seguir ao primeiro dia de praia tivemos a primeira saída à noite.
O tempo em Florianópolis tem se revelado uma surpresa, húmido e abafado, aragem só uma vez por dia e faz um calorzinho que nos faz entender bem a inércia deste povo. Ao cair da tarde o céu transforma as suas nuvens brancas em pesadas nuvens cinzentas, surgindo, pouco tempo depois, alguns relâmpagos. A chegada do som do trovão aconteceu ainda enquanto jantávamos, junto à Lagoa da Conceição, num típico restaurante com peixe e marisco como especialidade, efectuando apenas uma despesa de 8€, incluindo já uma bebida. A escolha do bar para tomar o “digestivo” seguiu o som da música ao vivo que se fazia ouvir entre a trovoada. Fomos até ao Bar do Boni. Pode dizer-se que a única música que conheci foi…adivinhem lá…”Marijuana? Ilegal!”...Com muita tristeza minha…(ou não)…não passaram uma única música parola brasileira que se ouve em Portugal! Como se diz por cá…Graça a’Deus! Desta forma qualquer possibilidade de cantarolar um refrão e mostrar os meus belos dotes de cantora foram por chuva abaixo…
Após a primeira rodada de bebida, de Skol e tradicional caipirinha, enquanto se vislumbrava com a ajuda de relâmpagos toda a lagoa e os seus montes, começou a chuvada tropical…a música continuou, nós mantivemo-nos na esplanada debaixo do chapéu de sol, que agora servia de chapéu de chuva, vendo a chuva cair.


Ali mesmo ao lado a água corria em direcção à lagoa tapando a fronteira de areia. Conhecemos o Wilson, o Lucas, e o Rudi, três nativos da ilha, com uma estranha forma de se meterem connosco. Pelo que entendi tudo começa com linguagem gestual, tentando simular um coração que afastam e aproximam repetidamente do peito… após ultrapassarem esta fase conseguiram explicar-nos significados de certos termos, como guria, sarada..., mostraram-nos o que sabiam da cultura da sua descendência, falaram até que existe um samba rock…uns bacanos, portanto! No bar trabalha ainda um Suíço já com, pelo menos, 50 anos que resolveu vir viver para Florianópolis, ele justifica esta mudança de vida por sentir que a liberdade é a sua fonte de energia. Contou-nos também a sua experiência com o povo brasileiro, rematando com a seguinte frase: “Brasileiro fala, fala e não faz…mas tem bom coração!”



JMiguel


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