quinta-feira, 22 de abril de 2010

Do hotel para a nossa vivenda

Dando seguimento ao meu último post, e recuando relativamente ao que é o efectivo último post do blog mas sentindo que ainda faz parte desta aventura deixar em memória escrita o dia em que encontrámos casa e as aventuras por esses dias vim acrescentar o seguinte:

Foi no dia seguinte, após a chegada à ilha que sem esforço e à terceira, encontrámos a nossa casa. No Tucano House, o hostel onde supostamente iríamos ficar enquanto não encontrássemos casa, aconselharam-nos a procurar o Joel. Conhecem o Joel? Quando vierem a Florianópolis encontram o Joel sentado num banquinho de cozinha no passeio da estrada principal da Lagoa da Conceição, a segurar um cartaz que diz “Aluguel de Casas”, vamos acreditar que são apenas truques de marketing de uma qualquer imobiliária…Todos aqui conhecem o Joel, principalmente os chegados portugueses, pois tem fama de lhes encontrar sempre casa. Contudo nós ainda não o conhecemos…pelos vistos o senhor que nós ajudou a encontrar casa era o César, ou seja fomos ter com a concorrência.

Saímos do hotel no dia 24, alugamos um carro, durante um dia, um Chevrolet, e fizemos duas viagens até casa com o pequeno atestado de malas e sempre uma de nós camuflada entre elas.



Fomos viver no Canto da Lagoa entre a UFSC e a praia, tudo para dificultar a nossa capacidade de decisão…o dilema está mesmo à porta! É uma vivenda com três quartos, dois wc, uma sala de estar que dá para a cozinha, e outra sala. Temos ainda uma churrasqueira e ao lado uma mesa enorme para fazer refeições ao ar livre. Cheira mesmo a casa de férias...até temos uma rede pendurada na varanda...






O carro deu bastante jeito, pois aproveitamos o resto da tarde para tratar de papeladas na polícia federal, na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina, para os mais distraídos...) e deu ainda para fazer compras do hipermercado.

A primeira de muitas noites teve direito a janela aberta e logo que acordei, ainda a espreguiçar na cama, foi possível apreciar todo o verde dos montes, desde palmeiras a erva alta, ver e ouvir cavalos, bois, avestruzes, e pássaros de várias cores, amarelos e verdes que se escondem entrem a folhagem da árvore do quintal, ou as gralhas que preferem sobressair vestindo penas azul petróleo…Outras vezes é mesmo possível vislumbrar outras aves, os pássaros do parapente, os mais aventureiros que sobem o monte e que se lançam na procura de uma vista aérea…




Nessa manhã aproveitamos ainda o aluguer do carro e fomos em direcção ao centro, percorremos a avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos junto à Beira Mar, a zona mais cara da cidade para comprar casa, de um lado prédios tão altos como o novo edifício da Figueira da Foz, com varandas, piscinas e ginásios particulares com vista para o mar que fica logo do outro lado da estrada, apenas separado desta por um passeio para caminhadas, exercícios e voltas de bicicletas, actualmente a sofrer um alargamento.






Mesmo antes da chegada ao centro passamos pela marca de Florianópolis, a Ponte Hercílio Luz. Esta ponte foi começada a ser construída em 1922 e concluída em 1926, pelos engenheiros norte-americanos Steinmann e Robinson. Desde 1982 que a ponte se encontra desactivada, servindo apenas como mirante. A razão da sua construção foi tornar definitivamente Florianópolis a capital e mais próxima do estado que fica maioritariamente no continente.
Para a construção foram necessários dois empréstimos, por motivos de falência do banco (norte-americano), correspondentes a dois orçamentos anuais do Estado de Santa Catarina, os quais só foram pagos em 1978…isto faz-me lembrar...já sei! BPN’s e crises que desculpam gestores de bancos…
E…obras eternas, pois a ponte, actualmente, continua em obras…é melhor não comentar…não fossemos nós colonizadores…


Seguindo a estrada desde a Beira Mar vimos ter ao Mercado. Ao lado deste sobem ruas perpendiculares onde se vê uma mistura de prédios modernos que ladeiam casas antigas e tradicionais assim como monumentos históricos. O centro moderniza-se à medida que se afasta do mercado. A construção deste mercado foi alvo de guerras entre barraquistas e judeus tudo por questões de interesse de localização em sítios diferentes.
Actualmente o mercado é composto por duas alas separadas por um zona de esplanadas para a qual ficam virados vários restaurantes, retrosarias, mercearias, padarias que absorvem desde cheiros de petiscos feitos por vendedores ambulantes nas ruas como os odores das bancas do peixe que ficam numa das alas, misturadas com um talho, restaurantes interiores. A outra ala só vende calçado.

Antes do mercado há ainda um edifício com lojas minúsculas, coladas lado a lado, todas sobre o mesmo tecto, e afastadas frontalmente por um corredor de pouco mais de metro e meio, onde é impossível perceber onde começa e acaba cada loja, os artigos e os vendedores estão expostos, e até pendurados em tudo o que talvez seja parede, o cliente fica totalmente absorvido e desorientado. Quase parecem mercados marroquinos com artigos chineses...Os legumes, frutas, enchidos e queijos são vendidos do outro lado do mercado, em várias bancas circulares cobertas com telhados em madeira em forma de cone.


Só por fora e sempre a passo rápido ainda vimos alguns monumentos históricos, subimos e descemos ruas paralelas e perpendiculares, vimos o Palácio Cruz e Sousa conhecido também como Palácio Rosado, a primeira construção para o poder politico.




Mesmo na rua ao lado fica a Praça XV, Praça XV de Novembro...ai Maria Maria..., em calçada portuguesa, um jardim que parece uma selva, coberto pela Figueira Centenária, a qual dizem que traz dinheiro e casamento se andarmos de volta dela…





No cimo do jardim está a Catedral com uma praça cheia bancas prontas a venderem produtos turísticos, mesmo viradas para a sua porta. Tivemos sorte na correria pois foi possível observar todo este novo local ao som de um guitarrista de rua.
Curiosa foi a paragem nos semáforos! Aqui quem pede dinheiro trabalha, nem que seja para nos entreter enquanto o sinal passa de vermelho a verde, difícil é desviar a atenção e não apreciar tal arte. Desde palhaços que brincam com bolas de cristal, a mágicos, e acrobatas…ou nesta fase, dos trotes, o equivalente às nossas praxes no inicio do ano, caloiros sujos com tinta de todas as cores vão pedir dinheiro junto aos semáforos ate completarem uma quantia exigida pelos doutores, vendo-se assim livres do trote!


(Quanto à praia da Daniela e do Jurêrê ainda tenho uns comentários a fazer, será o meu próximo post...vão lá arranjando coisas para se entreterem, não sejam rabujas sempre a pedir para actualizar o blog...mesmo assim tenho saudades vossas...leitores assíduos...ou curiosos incontroláveis...)
J Miguel











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